Polícia confirma prisão de supostos espiões de Arruda
Depois de passar cinco dias evitando o assunto, a Polícia Civil de Brasília confirmou ontem a detenção de dois policiais de Goiás suspeitos de fazer escuta ilegal em gabinetes de deputados de oposição ao governador José Roberto Arruda (sem partido). Os policiais Luiz Henrique Ferreira e José Henrique Daris Cordeiro, lotados na Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil goiana, estariam a serviço de auxiliares de Arruda. Eles foram detidos na quarta-feira passada, conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo no domingo.
O delegado responsável pela prisão, Guilherme Nogueira, que no sábado havia negado a detenção dos agentes goianos, ontem admitiu o episódio. Ele disse que, “por ordens superiores”, não poderia dar mais informações. Chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, Nogueira só confirmou a suspeita de grampo após se certificar de que o novo chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, Pedro Cardoso, havia confirmado a abertura de inquérito para apurar o episódio, até então em segredo.
Cardoso assumiu o lugar de Cleber Monteiro, que deixou o cargo na sexta-feira, em meio a rumores de que teria se negado a abafar o flagrante. Ontem, Monteiro se mostrou desconfortável com o tema. “Não vou falar sobre isso. É um assunto para o novo diretor”, afirmou. Ele procurou reduzir a importância do caso: “Houve a prisão, os policiais estavam com equipamentos que foram apreendidos, mas vamos apurar, até porque uma investigação não pode se sustentar em ilações.” O novo delegado-chefe negou o envolvimento de assessores de Arruda.
A cúpula da segurança pública do DF ocultou o caso até da Polícia Civil de Goiás, à qual estão vinculados os agentes. O diretor-geral da polícia goiana, Aredes Pires, determinou a abertura de procedimento administrativo para investigar a conduta dos policiais. “Eles estavam em Brasília por sua própria conta e risco, em horário de trabalho, e não havia qualquer missão fora de Goiás.”
Flagrante
O flagrante ocorreu na noite de quarta-feira. Levados para prestar depoimento, os dois policiais foram liberados em seguida. Segundo fontes da Polícia Civil, eles teriam dito que estavam a serviço de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda. O assessor de imprensa de Arruda, André Duda, negou que ele tivesse ligação com o caso. “O que o governo ganharia monitorando quatro deputados?”, reagiu ele, ironizando a minoria da oposição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



















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