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OAB anula 2ª fase de exame

OAB anula 2ª fase de exame por suspeita de vazamento

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou hoje que decidiu anular a segunda fase do Exame de Ordem, realizado no último domingo, 28, por suspeita de vazamento. A decisão foi tomada pelo Colégio de Presidentes das 27 Seccionais da Ordem, durante uma reunião promovida na sede do Conselho Federal, em Brasília. A prova foi remarcada para o dia 11 de abril.

Ao todo, 23 presidentes votaram pela anulação total da segunda fase, 2 pela anulação parcial e 1 se absteve. “Lamentavelmente tivemos de enfrentar essa situação de que houve irregularidade no Exame de Ordem e a quase totalidade dos presidentes optou pela anulação dessa segunda fase, o que traz transtornos para os candidatos e para a instituição. Mas, a credibilidade do Exame de Ordem estava em jogo e isso nos levou à anulação”, afirmou Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP, que votou pela anulação da segunda fase.

A suspeita de vazamento surgiu durante aplicação da prova de Direito Penal da segunda fase do Exame de Ordem Unificado, na cidade de Osasco, na Grande São Paulo, quando um candidato foi flagrado com um código que continha folhas com as respostas da prova.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal a pedido da OAB. Uma sindicância também foi aberta pelo Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), que realiza o exame em parceria com a instituição.

Ao todo, 18,7 mil candidatos prestaram as provas em todo o País. Desse total, 4.779 bacharéis eram de São Paulo. A prova prático-profissional, que inclui redação de peça jurídica e de cinco questões práticas, além de Direito Penal, também inclui provas nas áreas de Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, Direito Empresarial e Direito Tributário.

Hillary pedirá ao Brasil que pressione Irã sobre programa nuclear

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pedirá às autoridades brasileiras que pressionem o Irã na questão do polêmico programa nuclear do país, afirmou hoje o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela.

“Vamos pedir a nossos colegas brasileiros que pressionem o Irã a readquirir a confiança da comunidade internacional cumprindo suas obrigações internacionais”, ressaltou Valenzuela.

Segundo o secretário, os EUA deixarão claro ao Brasil que, caso o país não faça isso, ficarão “muito decepcionados”.

“Se o fizerem, acho que é um passo importante que podem dar”, apontou.

O Governo brasileiro, que estreitou relações com o Irã nos últimos meses, defende o “direito” desse país ao “desenvolvimento nuclear com fins pacíficos”. O Brasil se opõe à aprovação de medidas contra Teerã, pois considera que a solução à crise só chegará por meio do “diálogo”.

O Brasil assumiu neste ano uma das cadeiras rotativas do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, um ponto importante da viagem de Hillary será pressionar o Brasil pelo apoio à imposição de novas sanções econômicas contra o programa nuclear iraniano.

Até o momento, os Estados Unidos, principais defensores de novas sanções contra o Irã, conta com o apoio confirmado do Reino Unido e da França entre os membros permanentes. A Rússia parece ter se aproximado da posição americana, mas já a China continua reticente.

No início dessa semana, Hillary declarou em discurso ao Congresso que o programa nuclear iraniano era “a prioridade principal” de seu Governo em política externa.

O “número três” do Departamento de Estado americano, William Burns, está no Brasil para conversas com as autoridades nacionais antes da chegada da secretária.

Burns é o responsável das negociações nucleares com o Irã do Grupo 5+1, formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) mais a Alemanha.

A chanceler americana começa na segunda-feira sua viagem pela América Latina, que inclui escalas no Uruguai, Chile, Brasil, Costa Rica e Guatemala.

Ela chegará a Brasília na quarta-feira, quando se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Visões divergentes sobre “JESUS”

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O nascimento de Jesus, como o de quase qualquer outra grande figura da Antigüidade, é cercado por uma densa névoa de mistério. Sem registros realmente contemporâneos dos primeiros anos da vida de Cristo, os historiadores têm poucas certezas, mas algumas coisas parecem razoavelmente prováveis: Jesus, na verdade, veio ao mundo “antes de Cristo”, a julgar pela cronologia de sua vida, e com maior probabilidade em Nazaré, na Galiléia, e não em Belém, como dizem os Evangelhos de Mateus e de Lucas.

O raciocínio por trás dessas afirmações aparentemente bombásticas é simples. O que acontece é que as duas histórias do nascimento de Jesus no Novo Testamento são narrativas altamente simbólicas, que incorporam as visões de dois escritores diferentes sobre o papel de Cristo como Salvador e Filho de Deus. O consenso entre os pesquisadores é que elas foram escritas por volta nas décadas de 80 ou 90 do século I, dispondo de poucas informações diretas sobre os primeiros anos de Jesus.

“As narrativas da infância de Jesus representam o último estrato da tradição dos Evangelhos, mais recente, portanto, que qualquer outro material sobre ele. Essa tendência continua nos evangelhos apócrifos de infância [que ficaram de fora do Novo Testamento”, explica Paulo Augusto Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Segundo o pesquisador, o centro dessas narrativas é mostrar Jesus aos leitores como o Messias desde o nascimento.

Visões divergentes

O que o leitor casual da Bíblia normalmente não percebe, contudo, é que há diferenças importantes entre a história contada pelo Evangelho de Mateus e a que aparece nos primeiros capítulos do Evangelho de Lucas. “Existem atritos, para não dizer contradições, entre a versão de Mateus e a de Lucas para a infância de Jesus”, escreve o padre e historiador americano John P. Meier em sua monumental obra “Um judeu marginal” (em vários volumes, ainda não concluída), que versa sobre o Jesus histórico.

“É bem verdade que alguns desses atritos poderiam ser harmonizados com um pouco de habilidade. Em Mateus, apenas José recebe do anjo o anúncio da concepção virginal de Jesus; em Lucas, é Maria que ouve a revelação. No fundo, nenhum dos relatos contradiz o outro. Mais difíceis de harmonizar são os relatos divergentes das viagens de José e Maria que são a base das histórias”, avalia Meier.

O historiador britânico de origem húngara Geza Vermes, professor emérito da Universidade de Oxford, explica que, enquanto Mateus parece retratar Maria e José morando originalmente em Belém e só se mudando para Nazaré após o nascimento de Jesus, Lucas mostra o casal morando durante quase toda a gestação na Gailéia. Segundo o relato lucano, seria apenas por causa de um recenseamento ordenado pelos romanos (recenseamento que ordenava o registro de todas as pessoas em sua cidade ancestral) que a Sagrada Família teria ido para Belém, local de origem de Davi, antepassado de José.

Importância teológica

“Para Mateus, e a mesma observação se aplica a Lucas, a localização geográfica é de crucial importância, porque tem um grande significado teológico. Mateus tem pleno conhecimento de uma tradição judaica segundo a qual o Messias virá de Belém”, escreve Vermes em seu livro “Natividade”, uma análise dos dados históricos sobre o nascimento de Jesus. A tradição está registrada no livro do profeta Miquéias, do Antigo Testamento, e é citada com ligeiras modificações por Mateus.

Segundo John P. Meier, o fato de dois evangelistas diferentes contarem histórias divergentes sobre Belém mostra que provavelmente já existia uma tradição cristã anterior a eles a respeito da cidade. O problema é que os dois esquemas soam historicamente forçados.

Para Mateus, José e sua família se mudam para Nazaré (depois de uma passagem pelo Egito) para fugir de Arquelau, filho do rei Herodes, o Grande, que teria tentado matar o Jesus menino. Mas a Galiléia era governada por Herodes Antipas, também filho do rei assassino, o que não garantiria a segurança do bebê. Já o recenseamento citado por Lucas seria inédito em toda a história do Império Romano: normalmente só os chefes de família eram recenseados (Maria, grávida, não precisaria fazer a viagem), e nunca precisavam voltar para a terra de seus ancestrais distantes para isso (afinal, Davi viveu cerca de 1.000 anos antes de José).

“Embora Belém não possa ser absolutamente excluída, continua altamente questionável. De um modo geral, um Jesus de Nazaré, o Jesus da tradição principal do Evangelho, deve ser preferido ao Jesus de Belém dos Evangelhos da Infância”, argumenta Vermes.

Erro de datação?

Outro problema significativo envolve a própria data do nascimento de Jesus. É que Herodes, o Grande, morreu no que seria o nosso ano 4 a.C. A maioria dos estudiosos concorda que Cristo nasceu quando o poderoso e cruel rei judeu ainda estava vivo, ou seja, um pouco antes de 4. a.C. Mas Lucas também diz o recenseamento se deu “quando Quirino era governador da Síria”.

Mas Quirino só parece ter assumido o cargo depois da morte de Herodes. E o único censo decretado por ele data do ano 6 d.C. — segundo todas as cronologias possíveis, depois que Jesus nasceu. Vermes argumenta que, durante a vida de Herodes, Quirino não teria poderes para decretar um censo na Judéia e na Galiléia, pois essas regiões eram um reino vassalo dos romanos, e nesse tipo de domínio Roma não cobrava impostos diretamente (motivo usual dos censos). Para os estudiosos, trata-se um novo indício de que os evangelistas não eram historiadores no sentido moderno, mas estavam interessados em demonstrar a importância espiritual da vida de Jesus.

A Gazeta | 15/12/2008

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